Alelo Vegetal

arrozefeijaoBanco Ativo de Germoplasma (BAG)

Arroz e Feijão

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Protocolos

Protocolos operacionais e
administrativos do BAG Arroz e Feijão

Os Protocolos do BAG permitem o estabelecimento de rotinas para as atividades de introdução de germoplasma, regeneração e multiplicação, limpeza, secagem, testes de qualidade, embalagem, registro e documentação, armazenamento e conservação, caracterização e avaliação, monitoramento, movimentação e intercâmbio, e envio de amostras para a Colbase. Estes Protocolos são atualizados rotineiramente para o aprimoramento dos serviços necessários à manutenção do BAG.

Introdução de Germoplasma

A introdução de germoplasma nas coleções é feita através da incorporação de novos acessos para enriquecimento da diversidade genética dos acessos mantidos no BAG. As introduções incluem variedades tradicionais de arroz e feijão, espécies silvestres de arroz oriundas de coletas realizadas no Brasil, e linhagens de arroz e feijão introduzidas de programas de conservação e melhoramento do Brasil e de instituições internacionais. Para serem introduzidos no BAG, os acessos provenientes de coleta e as linhagens oriundas de programas de melhoramento recebem um número identificador único e sequencial, precedido pelo código BRA (código identificador do germoplasma armazenado na Embrapa).

 

Variedades tradicionais de arroz e feijão

Juntamente com o código BRA, serão registrados pelo menos os seguintes dados de passaporte para cada acesso (Bioversity International, 2007): código da instituição coletora, número da amostra, nome dos coletores, data, país, estado, município, informações sobre o sítio de coleta (latitude, longitude, altitude, local de coleta), espécies silvestres (Bioma Amazônia, Bioma Cerrado, Bioma Pantanal, Bioma Pampa e outros), nome da propriedade ou atividade (campo, armazém, mercados, feira livre, máquinas de beneficiar arroz, instituições de pesquisa e outros), instituição, tipo de amostra coletada (sementes, panículas, parte vegetativa), classificação botânica do acesso (espécie silvestre, arroz vermelho, variedades tradicionais, linhagem do melhoramento, cultivar). Quando a acesso for coletado em aldeia indígena os seguintes dados etnobotânicos devem ser coletados: grupo étnico, nome comum do acesso, origem da amostra (variedade indígena, introduzida), utilização da amostra coletada pelo grupo étnico (alimentação humana, forrageira na alimentação animal, outros), uso especial (propósitos religiosos, cerimônias especiais, outros) e características especiais das amostras coletada.

Linhagens de Programas de Melhoramento de Arroz e Feijão

Juntamente com o código BRA, serão registrados pelo menos os seguintes dados de passaporte (Bioversity International, 2007) para cada acesso: código da instituição, número do acesso, nome da instituição doadora do acesso, código da instituição doadora, número do acesso doado, outras identificações associadas ao acesso doado, nome científico (gênero, espécie, sub-espécie), .cruzamento, nome comum do acesso, data de entrada do acesso no banco de germoplasma, forma de obtenção (coleta, programa de conservação e/ou melhoramento do Brasil, programa de conservação e/ou melhoramento de outros países, desconhecida).

 

Antes de efetivar a introdução de um acesso no BAG Arroz e Feijão são tomadas algumas providências:

  • a) Multiplicação de sementes – quando a quantidade de material propagativo obtida for pequena, para evitar risco de perda.
  • b) Certificação de ausência do acesso na coleção – uma busca criteriosa do acesso no Banco de Dados do BAG deve ser realizada para saber se o material genético já foi introduzido na coleção. No caso de variedades tradicionais se houver registro de algum acesso com o mesmo nome, o acesso coletado será mantido em uma prateleira separada dentro da câmara até que sejam realizados testes de DNA (fingerprinting genético) para verificar a identidade genética dos acessos testados.
  • c) A introdução de qualquer linhagem no BAG só será efetivada se ela vier acompanhada de dados de passaporte e de caracterização morfológica, e se ela possuir alguma característica relevante (resistência a doença, tolerância a seca, etc.) para uso futuro dos programas de melhoramento genético.

Multiplicação

  • a) A multiplicação dos acessos de arroz e feijão é feita quando o poder germinativo da semente estiver abaixo de 80% para evitar a perda de alelos por deriva genética. Para isto, a cada cinco anos serão realizados testes de germinação em uma amostra aleatória de acessos de arroz e feijão do BAG. Outro critério levado em consideração é quando o estoque de sementes de um determinado acesso estiver abaixo de 200 gramas (arroz) e de 275 gramas (feijão).
  • b) O BAG providenciará também a multiplicação de acessos de arroz e feijão armazenados na Colbase (Coleção de Base – para conservação a longo prazo de germoplasma), quando solicitado formalmente pelo curador da mesma.

 

 

 

 

 

 

 

Regeneração por cultivo de embrião

A regeneração de acessos é feita no Laboratório de Cultura de Tecidos do BAG utilizando o procedimento de cultivo de embrião in vitro em meio de cultura. O cultivo de embrião é aplicada em acessos de arroz e feijão cujas sementes germinam mas, devido ao baixo vigor, morrem antes da formação da plântula.

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Limpeza

As sementes de acessos oriundos de coleta ou de multiplicação passam por uma limpeza que visa a eliminação dos debris e de sementes com defeitos para assegurar a pureza do lote. A limpeza é feita manualmente, com o uso de peneiras, e/ou com o emprego de pequeno assoprador mecânico. As sementes puras passam por um processo de expurgo químico visando a eliminação de insetos.

 

 

Secagem

As sementes, livres das impurezas e expurgadas, são colocadas em estufas com ventilação forçada para secagem a uma temperatura de 25°C a 30°C. Elas permanecem nestas condições por um tempo aproximado de três semanas, até atingirem a umidade de equilíbrio desejada – em geral, 3% a 7%. Ao final de cada semana, uma amostra de sementes é utilizada para medir o teor de umidade a fim decontrolar o processo de secagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

– Testes de germinação, determinação do teor de umidade e pesagem das sementes

  • a) A porcentagem de germinação de cada acesso de arroz e feijão é determinada em papel “germitest’ autoclavado, utilizando uma amostra de duas repetições de 50 sementes para arroz e 25 para feijão.
  • b) De cada acesso de arroz e feijão é determinada a umidade relativa e feita a pesagem das sementes.
  • c) Os seguintes descritores de manejo (Bioversity International, 2007) são registrados para cada acesso: data do teste de germinação, percentagem de germinação das sementes estocadas, teor de umidade, quantidade de sementes armazenadas e local onde as sementes foram multiplicadas.

 

 

 

 

 

 

 

Embalagem

  • a) O BAG Arroz e Feijão adota dois tipos de embalagens para conservação de germoplasma: frascos de polietileno com capacidade de 650 gramas e de 1.000 gramas. A maior parte dos acessos são guardados nos frascos de 650 gramas. Neste tipo de frasco, são armazenados 400 gramas de arroz e 550 gramas de feijão. Os frascos de 1.000 gramas são utilizados para armazenar 650 gramas de sementes de arroz e 890 gramas de feijão dos acessos mais utilizados em trabalhos de pesquisa, como a Coleção Nuclear de Arroz da Embrapa (CNAE), a Coleção Nuclear Temática de Arroz para Tolerância à Seca (CNTAS), Coleção Nuclear de Feijão da Embrapa (CONFE), Coleção de Fontes de Resistência à Brusone (Magnaphorte grisea), etc. Os acessos que compõem as coleções nucleares são, em geral, purificados por auto-fecundação para serem utilizados principalmente em pesquisas, incluindo a área de biotecnologia.
  • b) Em cada frasco é colada a logomarca do BAG e uma etiqueta com código de barra contendo: número do código BGA (no caso de arroz) e BGF (no caso de feijão), número do código BRA, número antigo de registro (CA ou CNA) e o nome comum do acesso.

 

 

 

 

 

 

 

Armazenamento e conservação

  • a) As sementes de arroz e feijão, que são do tipo ortodoxas, são armazenadas na câmara fria, dentro de frascos de polietileno, a uma temperatura de -13ºC e umidade relativa de ±25%.
  • b) A câmara fria do BAG Arroz e Feijão possui um sistema de arquivos deslizantes para o armazenamento dos acessos e um software de endereçamento que permite a localização rápida de qualquer acesso.
  • c) Somente pessoas devidamente credenciadas têm acesso ao germoplasma armazenado na câmara fria, que possui Controle de Acesso através de Leitor Biométrico Digital.

 

 

 

 

 

 

 

Caracterização morfológica

Todos os acessos do BAG devem ter uma caracterização morfológica mínima padronizada.

a) Arroz: são utilizados os descritores de ambiente e local, bem como os descritores de caracterização recomendados pela Bioversity International (2007):

Descritores de Ambiente e Local: país de caracterização, instituição onde o acesso foi caracterizado, caracterização do local de avaliação (coordenadas geográficas, dados de solo e clima), data da semeadura, ambiente de avaliação, dados técnicos do ensaio.

Descritores de Caracterização: ciclo da planta, cor da bainha da folha, intensidade da cor verde da lâmina da folha, posição da lâmina da folha, pubescência da lâmina da folha, cor da aurícula, cor do colar, comprimento da lâmina da folha, largura da lâmina da folha, comprimento da folha bandeira, largura da folha bandeira, posição do colmo, coloração do colmo, altura da planta, resistência do colmo ao acamamento, senescência da folha, número de perfilhos e panículas, exerção da panícula, comprimento da panícula, distribuição das ramificações da panícula, distribuição da ramificação secundária da panícula, distribuição da arista ao longo da panícula, cor da arista, pubescência da lema e da pálea, coloração da lema e da pálea, coloração do apículo, comprimento, largura e espessura dos grãos descascados, peso de 100 grãos descascados, coloração do pericarpo, rendimento de grãos inteiros, quebrados e total, teor de amilose, temperatura de gelatinização, centro branco, cocção e tolerância à seca.

 

 

 

 

 

 

 

 

b) Feijão: são utilizados os descritores de ambiente e local, bem como os descritores de caracterização recomendados pela Bioversity International (2007). Os descritores de ambiente e local são os mesmos do arroz.

Descritores de Caracterização: pigmentação do cotilédone, pigmentação do hipocótilo, pigmentação do epicótilo, pigmentação da haste principal, forma da vagem, brilho da semente, grupo comercial, cor predominante das flores, comprimento do folíolo central, largura do folíolo central, razão do comprimento/largura do folíolo central, número de vagens por planta, número de lóculos por vagem, comprimento da vagem, largura da vagem, comprimento do dente apical, dias para 50% de emergência, dias para 50% da floração, final de floração, intervalo de floração, comprimento da semente, largura da semente, espessura da semente, comprimento/largura da semente, espessura/largura da semente, peso de cem sementes, hábito de crescimento, cor do hipocótilo, cor de vagem na maturação, cor de vagem seca, brilho de semente, cor primária da semente, cor secundária da semente, forma da cor secundária da semente, cor do halo, forma do dente apical, posição do dente apical, curvatura da vagem, porte da Inserir fotos 100120113010 e 10
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Monitoramento

A cada cinco anos deverá ser feito o monitoramento da percentagem de germinação das sementes dos acessos de arroz e feijão armazenados na câmara fria. Para isto, são tiradas amostras de sementes dos acessos com maior tempo de armazenamento e realizados testes de germinação de acordo com o ítem 5.6.

Movimentação e intercâmbio

  • a) Todo intercâmbio de germoplasma deve seguir as normas estabelecidas pelo Governo Federal e pela Embrapa.
  • b) A movimentação de germoplasma do BAG só será feita mediante autorização formal do curador e se dará nas seguintes condições: 1) para regeneração e multiplicação; 2) para atender pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão e de outras Unidades da Embrapa; 3) para intercâmbio com outras instituições de pesquisa nacional e internacional; 4) para atender a produtores e companhias de sementes.
  • c) A solicitação de germoplasma do BAG por pesquisador da Embrapa deverá ser feita diretamente ao curador do produto, por e-mail ou ofício ou no Link Intercâmbio dentro do Portal ALELO. O BAG fornecerá 10 gramas de sementes de arroz e 25 sementes de feijão por acesso solicitado que esteja armazenados nos frascos de 650 gramas. Para os acessos armazenados nos frascos de 1.000 gramas o BAG poderá fornecer até 50 gramas de sementes de arroz e 100 sementes de feijão.
  • d) A solicitação de germoplasma por instituição de pesquisa nacional deve ser feita formalmente por e-mail ou ofício ao curador do produto ou no Link Intercâmbio dentro do Portal ALELO. O BAG fornecerá 10 gramas de sementes de arroz e 25 sementes de feijão por acesso solicitado. O BAG se responsabilizará pelo envio do(s) acesso(s) solicitado(s), providenciando inclusive o Termo de Transferência de Material (TTM).
  • e) A solicitação de germoplasma por instituição de pesquisa internacional deve ser feita formalmente por e-mail ao curador do produto ou no Link Intercâmbio dentro do Portal ALELO. O BAG fornecerá 10 gramas de sementes de arroz e 25 sementes de feijão por acesso solicitado. O envio de sementes a instituição internacional é regido por normas do Governo Federal e da Embrapa, cabendo a Embrapa Arroz e Feijão apenas preparar a documentação necessária e enviá-la a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que é a unidade da Embrapa responsável pelo intercâmbio internacional de germoplasma.

Envio de amostras para a Colbase

Os curadores de arroz e de feijão autorizarão e providenciarão o envio de amostras dos acessos armazenados no BAG Arroz e Feijão para a Coleção de Base da Embrapa – Colbase, para fins de armazenamento em longo prazo.